Verbete organizado
por:

Zahidé L. Muzart

 



LUÍSA LEONARDO


Vida:

 

Luísa Leonardo (Rio de Janeiro, 22/10/1859 Bahia, 12/06/1926 - Bahia), compositora,

musicista e atriz, foi bisneta da Viscondessa de Nassau musicista e atriz, foi bisneta da Viscondessa de Nassau, filha de Carolina de Oliveira Leonardo e Vitorino José Leonardo - professor de música no Instituto Benjamin Constant e afinador da Casa Artur Napoleão e do Paço Imperial.

Desde cedo Luísa estuda música e, aos oito anos, dá seu primeiro concerto diante de seu padrinho D. Pedro II que, admirado, decide custear-lhe os estudos na Europa. Permanece em Paris durante seis anos: freqüenta o Conservatório de Música e, ao formar-se, é consagrada como virtuose e primeira intérprete de Chopin, tornando-se, em 1880, pianista oficial da Real Câmara de Luís I, em Lisboa.

De volta ao Rio de Janeiro e não encontrando muita receptividade como musicista, passa a dedicar-se ao teatro. Estréia em 1885, com a Companhia Fanny, no Teatro Politeama de Salvador.

Casa-se com o pintor português Augusto Rodrigues Duarte, com quem tem dois filhos, Saul e Vítor, falecidos ainda na primeira infância. Quando enviúva retira-se dos palcos, mudando-se para Salvador. Lá passa a lecionar canto e piano e escreve para jornais e revistas do Rio, São Paulo, Pará, Pernambuco e Bahia.

Como atriz, Luísa Leonardo interpreta muitos papéis de peças importantes como Casa de bonecas, de Ibsen, Dama das camélias e Maria Tudor, de Victor Hugo, além de muitos outros, criados especialmente para ela pelo dramaturgo e diretor de teatro Francisco Moreira de Vasconcelos.

Depois da morte de seu grande amigo Francisco, Luísa encerra sua carreira dramática e perambula pela Argentina e Paraguai, dando concertos. Retorna ao Brasil e fica quase na miséria, sendo acolhida por um colégio de freiras no Rio de Janeiro.

De volta à Bahia, torna-se grande amiga de Sílio Boccanera Júnior, com quem casa em 1903. Ele, engenheiro, escritor, dramaturgo e crítico, foi também autor da mais completa biografia de Luísa, publicada na Revista do Grêmio Literário da Bahia.

Sob o pseudônimo Vítor Luís, Luísa Leonardo escreveu em A Gazetinha e deixou abundante produção - prosa e poesia - nas páginas da Revista do Grêmio Literário da Bahia. Consta que, ao lado de Chiquinha Gonzaga, escreveu também para o teatro musicado.

Foi muito prestigiada pelo público de sua época e, especialmente, por músicos e intelectuais como Carlos Gomes, Olavo Bilac e Machado de Assis, de quem foi amiga. Além de peças para revistas teatrais, para canto, violino, flauta, clarineta e, sobretudo, para piano, compôs o Hino a Carlos Gomes e também publicou o romance Gazel em onze capítulos na Gazeta da Tarde -, a peça Calvário cujo manuscrito foi enterrado com Francisco Moreira de Vasconcelos e vários poemas de influência simbolista.